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Multiwasher: como laticínios em crescimento estão tirando a higienização do gargalo

Descubra como o redimensionamento da higienização pode reduzir custos e transformar a lavagem de formas em uma operação mais previsível e preparada para o crescimento.

Multiwasher: como laticínios em crescimento estão tirando a higienização do gargalo

Tempo de leitura10 Minutos de leitura

2026-09-21 15:58:02

Nas duas primeiras semanas, chegamos a dois pontos. Primeiro: em muitas operações de laticínio, as formas chegam à lavagem com carga de sujidade leve, mas passam por um processo dimensionado para algo maior. Segundo: essa desproporção tem um custo diário distribuído entre água, químico, efluente e mão de obra — e quase nunca consolidado.


Falta responder a pergunta prática: o que muda quando o processo é redimensionado para a carga real?


A mudança conceitual: de volume parado a ciclo fechado

A higienização por imersão trabalha com um princípio simples: um grande volume de solução, tempo de contato longo e ação mecânica limitada. Ela funciona. O problema é que o volume é fixo e o tempo é lento, então a capacidade da área não cresce junto com a produção.


A lavagem em ciclo fechado inverte essa lógica. Em vez de um volume parado que trata as peças aos poucos, ela usa um volume pequeno em recirculação, com temperatura controlada, ação mecânica dirigida e tempo de ciclo definido. As peças entram organizadas em uma carga, o ciclo roda, a carga sai.


É uma diferença de arquitetura, não de intensidade. E ela muda exatamente as quatro frentes de custo que mapeamos na semana passada.


Como a Multiwasher opera nesse contexto

A Multiwasher é um equipamento de lavagem industrial em formato de cabine, desenvolvido pela Somengil para higienizar utensílios, formas, cestas, tabuleiros e carros de produção em um mesmo ciclo.


No caso específico do laticínio, a lógica de operação é direta: as formas são organizadas em carros de carga, o carro entra na cabine, e o ciclo é executado com água quente, ação mecânica e dosagem controlada de produto. Como as formas de queijo costumam ser pequenas — pense em um molde de queijo de 500 gramas — a densidade de carga por ciclo é alta.


Entre as características técnicas divulgadas pela Somengil para a linha estão o consumo reduzido de água em comparação com máquinas convencionais, a redução de detergente e ciclos que variam de um a quatro minutos conforme a aplicação. São parâmetros de projeto: o ciclo efetivo de cada planta precisa ser definido e validado internamente, de acordo com o resíduo, o protocolo sanitário e o resultado microbiológico exigido.


O que muda em cada frente de custo

Água

O ganho não vem de "usar menos água para o mesmo trabalho", e sim de eliminar o volume parado. Em vez de milhares de litros renovados por turno, o ciclo trabalha com um volume pequeno em recirculação e filtragem. O descarte deixa de ser a regra e passa a ser um evento controlado.


Produto químico

A dosagem passa a ser calculada para o volume do ciclo, não para o volume do tanque. Isso reduz tanto a quantidade aplicada quanto a quantidade descartada ainda ativa — um dos desperdícios mais silenciosos do processo por imersão.


Efluente

Como efluente é consequência de água e químico, ele cai junto. Para plantas que já operam próximo do limite da sua estação de tratamento, esse costuma ser o benefício de maior peso, porque destrava capacidade sem exigir investimento em tratamento.


Mão de obra e previsibilidade

Talvez o ponto mais relevante para quem está crescendo. Com ciclo definido e carga padronizada, a área passa a ter um número: quantas formas por hora. O trabalho deixa de ser preparar tanque e movimentar peças soltas, e passa a ser montar carro e operar ciclo. O resultado depende menos de quem está no turno.


Por que isso se encaixa bem no laticínio

Três características do setor tornam o ciclo fechado particularmente adequado à higienização de formas:

  • Carga de sujidade leve e previsível — o resíduo é do próprio leite, o que permite ciclos curtos e bem definidos.
  • Alta repetição — a mesma operação se repete centenas de vezes por dia, o que é exatamente onde padronização gera ganho.
  • Peças pequenas em grande quantidade — a densidade de carga por ciclo é alta, o que melhora o rendimento por operação.


O que a tecnologia não resolve sozinha

Automatizar não substitui controle sanitário. Tempo, temperatura, produto e resultado precisam ser definidos e validados pela equipe responsável de cada planta, e o monitoramento microbiológico continua sendo o critério final.


Também não adianta redimensionar a lavagem sem medir o que existe hoje. Sem a linha de base construída — volume, renovações, dosagem, horas, formas por dia — não há como avaliar o ganho real nem justificar a decisão internamente.


E vale a honestidade: nem toda operação precisa dessa mudança agora. Plantas com volume estável e capacidade folgada na área de lavagem podem ganhar mais com padronização de procedimento e reúso de água do que com troca de equipamento. O redimensionamento faz sentido quando a higienização já está limitando a produção — ou quando está prestes a limitar.


O convite da semana

Na próxima semana, saímos do conceito e entramos em plantas reais. Vamos mostrar o que mudou em dois laticínios brasileiros e em uma queijaria na Espanha depois que a higienização de formas passou a operar em ciclo fechado.


Enquanto isso, uma pergunta para os comentários: você já sabe quantas formas a sua planta consegue higienizar por hora?




Perguntas frequentes

O que é a Multiwasher?

É um equipamento de lavagem industrial em formato de cabine, desenvolvido pela Somengil, capaz de higienizar utensílios, formas, cestas, tabuleiros e carros de produção em um mesmo ciclo, com temperatura controlada e dosagem definida.


Qual a diferença entre lavagem por imersão e lavagem em ciclo fechado?

A imersão usa um grande volume de solução parada, com tempo de contato longo e capacidade fixa. O ciclo fechado usa um volume pequeno em recirculação, com ação mecânica dirigida e tempo de ciclo definido, processando cargas organizadas em sequência.


Quanto tempo dura um ciclo de higienização de formas de queijo?

Depende do resíduo, da temperatura e do protocolo de cada planta. Em aplicações com carga de sujidade leve, ciclos curtos são possíveis, mas o tempo efetivo precisa ser definido e validado internamente por quem responde pela qualidade da operação.


Trocar o processo de higienização exige mudar o protocolo sanitário?

Exige revisá-lo e revalidá-lo. Parâmetros de tempo, temperatura, produto e concentração mudam quando a arquitetura do processo muda, e o novo procedimento precisa ser documentado e comprovado por resultado microbiológico.


Quando vale redimensionar a área de higienização de um laticínio?

Quando a lavagem já limita a produção, quando o custo de efluente cresce sem explicação clara, quando a rotatividade na função é alta ou quando existe um plano de expansão que a área atual não sustenta.


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