Gestão / Artigos

Diagrama de Ishikawa: o que é, por que é importante e quando usar

Saiba o que é o Diagrama de Ishikawa, como funciona o método 6M e como utilizá-lo para identificar causas-raiz em processos industriais.

Diagrama de Ishikawa: o que é, por que é importante e quando usar

Tempo de leitura16 minutos de leitura

2022-12-22 17:45:15


  • O Diagrama de Ishikawa, também conhecido como Diagrama de Espinha de Peixe, ajuda as equipas a mapear as possíveis causas de um problema e a organizá-las em categorias claras.
  • Em ambientes industriais, pode ser utilizado para investigar problemas como baixa capacidade de lavagem, defeitos recorrentes, tempos de paragem, riscos de contaminação ou resultados inconsistentes.
  • Para ser eficaz, o diagrama deve ser apoiado por dados, seguido de priorização de causas e convertido em ações corretivas com responsáveis, prazos e KPI.


No início, era uma espinha de peixe. Foi esta estrutura inconfundível que inspirou um engenheiro japonês a criar uma forma simples de representar problemas persistentes - e as suas múltiplas causas, sub-causas, sub-sub-causas.


Foi precisamente esta complexidade, que as análises tradicionais não conseguiam resolver, a necessidade de priorização e de comunicação que estiveram na origem desta metodologia prática que tem um único objetivo – chegar às causas dos problemas.


Para empresas com requisitos exigentes de lavagem, higiene e produção, a mesma lógica pode ajudar as equipas a compreender por que razão um processo não está a entregar a qualidade, a capacidade ou a consistência esperadas.


Descubra o que é o Diagrama de Ishikawa e como pode ajudar a resolver problemas na sua organização.



O que é o Diagrama de Ishikawa?

O Diagrama de Ishikawa é uma ferramenta visual de melhoria contínua que ajuda a identificar as causas de um problema. É também conhecido por Diagrama Espinha de Peixe devido ao formato gráfico que exibe.


A representação é feita da direita para a esquerda, sendo que no extremo direito, na cabeça do peixe, é colocado o problema (o efeito). A partir daí, começam a desenhar-se as espinhas para a esquerda, a partir da espinha principal que é representada como uma linha horizontal.


Ao longo dessa linha, desenham-se mais seis linhas, três acima e três abaixo. Estas linhas representam os grandes tipos de causas possíveis, para que nenhum fator seja esquecido:

  • Máquinas. Nesta categoria são consideradas as possíveis causas associadas ao funcionamento incorreto das ferramentas e equipamentos usados durante o processo. Alguns exemplos poderão ser programas desatualizados, servidores com mau funcionamento ou avarias, ou máquinas com um baixo rendimento.
  • Materiais. Aqui são incluídos problemas relacionados com a matéria-prima. Por exemplo, o material pode não estar em conformidade com as exigências do trabalho ou apresentar características incompatíveis com o processo.
  • Meio ambiente. Esta categoria engloba fatores ambientais que possam favorecer o problema, como, por exemplo, temperaturas elevadas, falta de espaço, layout pouco otimizado ou ruído.
  • Mão-de-obra. Os problemas podem ocorrer devido a uma má alocação de colaboradores ou a dificuldades que possam encontrar na execução das suas tarefas. Alguns exemplos poderão incluir a falta de formação ou controlo.
  • Método. Os métodos de trabalho usados durante os processos também podem estar a contribuir para o problema. É importante considerar se existem processos produtivos documentos, se são os mais adequados e se estão atualizados.
  • Medida. Essa categoria abrange causas que envolvem as métricas usadas para avaliar o trabalho. Aqui podem entrar fatores como fiabilidade dos instrumentos de calibração, ou parâmetros de produção desadequados.


Apesar da existência dessas categorias, pretende-se que o Diagrama de Ishikawa seja flexível para que possa ser adequado à realidade de cada empresa. Pode ser necessário acrescentar mais “espinhas” ou até mesmo retirar, conforme a necessidade. Dentro de cada uma destas seis categorias, também conhecidas como 6M, são identificadas as causas raiz mais importantes. Para as identificar, a equipa que lida com o problema diariamente deve perguntar “Porque é que este problema ocorre” e fazê-lo repetidamente até identificar a causa raiz. Depois, basta categorizar no Diagrama na área mais adequada.


No final, para um dado problema deve ser possível identificar o Top 10 de causas mais críticas – aquelas que se forem resolvidas farão com que o problema deixe de acontecer de todo, ou que o minimizem de forma muito significativa.



Quais as vantagens do Diagrama de Ishikawa?

Em suma, o Diagrama de Ishikawa permite identificar, organizar, e partilhar as causas de um determinado problema, hierarquizadas por categorias, que facilitam a análise e a resolução. A principal vantagem está na simplificação da análise das causas de um problema, pelo grafismo imediato e intuitivo. Assim, é mais fácil descobrir a causa-raiz do problema, garantindo ao mesmo tempo que nenhuma categoria é esquecida. Quanto “mais espinhas tiver o peixe”, mais profunda e completa é a compreensão do problema – só não convém exagerar para não se perder a leitura.


Imagine aplicar o Diagrama de Ishikawa a um processo de lavagem que limpa menos tabuleiros por dia do que o esperado. O problema deve ser específico: por exemplo, “a linha de lavagem está a entregar menos 20% de tabuleiros limpos por turno do que o planeado”. A partir daí, a equipa pode mapear possíveis causas nas categorias 6M.

  • Máquina: tempo de ciclo elevado, bicos bloqueados, manutenção insuficiente, seleção inadequada de programa ou equipamento que já não corresponde ao volume de produção.
  • Método: carregamento e descarregamento manuais, má organização dos tabuleiros, falta de trabalho padronizado ou separação ineficiente entre fluxos de sujos e limpos.
  • Mão de obra: formação limitada dos operadores, práticas diferentes entre turnos ou falta de clareza sobre como reportar problemas de lavagem.
  • Materiais: tabuleiros com resíduos difíceis, utensílios incompatíveis ou itens misturados que exigem parâmetros de lavagem diferentes.
  • Medição: inexistência de um KPI fiável para tabuleiros por hora, taxa de relavagem, tempo de paragem, cumprimento do ciclo ou atrasos na produção causados pela indisponibilidade de itens limpos.
  • Meio ambiente: espaço limitado, layout pouco eficiente, acesso difícil à zona de lavagem ou condições ambientais que tornam o processo mais difícil de controlar.


O Diagrama de Ishikawa pode ser utilizado para analisar problemas em processos, áreas de trabalho ou até num negócio como um todo, de forma mais abrangente e orientada. Pelo facto de ir além dos sintomas e procurar as causas, facilita a descoberta de uma solução que seja objetivamente eficaz. É também uma excelente ferramenta para utilizar em equipa, em sessões de brainstorming onde todos podem participar.




Além disso, mesmo depois de um problema ter sido resolvido, o Diagrama de Ishikawa muitas vezes expõe outras fraquezas que não tinham sido ainda antevistas, permitindo que sejam corrigidas antes de provocarem problemas mais duradouros.



Quando utilizar um Diagrama de Ishikawa?

Um Diagrama de Ishikawa é útil quando um problema é recorrente, complexo ou afetado por várias variáveis possíveis. É especialmente importante quando as equipas estão a tratar sintomas em vez de causas, ou quando não existe uma visão partilhada sobre o motivo pelo qual um processo está a falhar. 


Na lavagem industrial, pode ser aplicado a problemas como baixa capacidade de lavagem, relavagens repetidas, tempos de paragem dos equipamentos, resultados de limpeza inconsistentes, consumo excessivo de água ou detergente, ou atrasos na produção causados pela indisponibilidade de itens limpos.



Como se utiliza o Diagrama de Ishikawa na prática

Apesar de aparentemente muito simples, para que a utilização do Diagrama de Ishikawa seja eficaz deve seguir algumas regras, ainda para mais quando é feito em equipa – como mandam as boas práticas. Para isso, devem ser implementados os seguintes passos:

  1. Defina claramente o problema a ser analisado (de preferência com dados)
  2. Desenhe uma seta horizontal que aponte para a direita e acrescente um quadrado na extremidade.
  3. Escreva o problema dentro desse quadrado.
  4. Faça traços diagonais ao corpo da seta, para conter as categorias das causas com os 6M (Máquinas, Materiais, Meio ambiente, Mão-de-obra, Método e Medida).
  5. Reúna a equipa e façam um brainstorming para definir as possíveis causas.
  6. Insira as causas encontradas, enumerando-as de acordo com a gravidade ou importância.

Por exemplo, imagine a aplicação do Diagrama de Ishikawa a um problema de falta de capacidade no processo de lavagem, definido por um output abaixo de esperado de “x” tabuleiros por dia. Seguindo a metodologia, o primeiro passo seria criar o Diagrama e os 6M. Dentro dos problemas com Máquinas, poderia registar algo como tempo de ciclo elevado. Nos Métodos, talvez o processo de carga e descarga da máquina seja demasiado longo e manual. Em Mão de Obra, poderia dificuldades em operar a máquina – e como sub-causas a falta de formação dos colaboradores. E por aí em diante até preencher todo o quadro. Depois de todos os fatores estarem listados, é possível identificar as causas reais que estão a contribuir para o problema e, consequentemente, promover as devidas ações corretivas.



Diagrama de Ishikawa vs. 5 Porquês

O Diagrama de Ishikawa e os 5 Porquês são ferramentas complementares. 


O Diagrama de Espinha de Peixe ajuda as equipas a organizar todas as possíveis causas de um problema em diferentes categorias. 


Já os 5 Porquês ajudam-nas a aprofundar uma causa para compreender a razão principal por detrás dela. Uma boa abordagem é utilizar o Diagrama de Ishikawa para mapear o problema e, depois, aplicar os 5 Porquês às causas mais prováveis ou mais críticas.



Erros comuns a evitar

Um Diagrama de Ishikawa é mais útil quando ajuda as equipas a passar de um problema amplo para uma compreensão clara das suas possíveis causas. No entanto, se o exercício for feito à pressa ou se basear apenas em pressupostos, o diagrama pode tornar-se demasiado genérico e não apoiar uma melhoria real. Para tornar a análise mais eficaz, as equipas devem evitar os seguintes erros:

  • Definir o problema de forma demasiado vaga, como “baixa produtividade”, em vez de utilizar um desvio mensurável, como “a linha de lavagem está a limpar menos 20% de tabuleiros por hora do que o esperado”.
  • Misturar causas com soluções antes de a verdadeira causa-raiz ter sido validada. Nesta fase, o objetivo é compreender por que razão o problema está a acontecer, não decidir imediatamente o que deve ser alterado.
  • Construir o diagrama apenas com opiniões, sem verificar dados do processo, registos de manutenção, controlos de qualidade, medições de tempo de ciclo ou observar diretamente a área de trabalho.
  • Não envolver as pessoas que operam, mantêm ou controlam o processo todos os dias. Operadores, equipas de manutenção, supervisores e equipas de qualidade podem identificar causas diferentes.
  • Criar o diagrama, mas não o converter em ações corretivas. Depois de identificadas as causas mais relevantes, estas devem dar origem a ações claras, responsabilidades, prazos e KPI.


Perguntas frequentes sobre o Diagrama de Ishikawa

Estas são algumas das perguntas mais frequentes sobre o Diagrama de Ishikawa.


Qual é outro nome para o Diagrama de Ishikawa?

O Diagrama de Ishikawa também é conhecido como Diagrama de Espinha de Peixe ou Diagrama de Causa e Efeito. Estes nomes referem-se à mesma ferramenta visual: um diagrama que coloca o problema na cabeça do peixe e organiza as possíveis causas ao longo das espinhas.


Quais são os 6M do Diagrama de Ishikawa?

Os 6M são Máquina, Materiais, Meio ambiente, Mão de obra, Método e Medição. Ajudam as equipas a analisar um problema de diferentes ângulos e a evitar focarem-se apenas na causa mais óbvia.


O Diagrama de Ishikawa pode ser utilizado na lavagem industrial?

Sim. Pode ajudar a analisar problemas de lavagem como baixa capacidade, resultados inconsistentes, relavagens repetidas, tempos de paragem, consumo excessivo ou atrasos causados pela indisponibilidade de utensílios, tabuleiros, ferramentas, filtros ou peças limpos.



Somengil, melhoria contínua na lavagem industrial

Mais do que uma preocupação, a melhoria contínua é um hábito e uma forma de estar na linha da frente do seu setor. O Diagrama de Ishikawa é uma ferramenta amplamente utilizada nos esforços de melhoria contínua, mas há muitas outras.


A Somengil ajuda as empresas a atingirem níveis de qualidade sem precedentes através da MultiWasher, uma máquina de lavar industrial com elevados níveis de eficiência hídrica e elétrica. Muito versátil, a MultiWasher lava todo o tipo de utensílios, ferramentas ou veículos de transporte, com um design que se adapta aos processos e um sistema simples de utilizar.


Se as causas de fundo que detetar no seu Diagrama de Ishikawa precisarem de soluções inovadoras e sustentáveis, fale com os nossos especialistas.

Regressar

Também pode gostar

Metodologia 5S: o que é, para que serve e como implementar?
Gestão / Artigos
Metodologia 5S: o que é, para que serve e como implementar?

Mais qualidade, produtividade e segurança. Descubra o que é a metodologia 5S, quais as vantagens e como implementar de forma prática.

Postado em 2022-05-26

Análise SWOT: guia prático para fazer
Gestão / Artigos
Análise SWOT: guia prático para fazer

A análise SWOT permite lançar um novo olhar para o seu negócio, de novas maneiras e direções. Descubra o potencial da análise SWOT e como fazer.

Postado em 2023-02-23

DMAIC: o que é, para que serve, como utilizar
Gestão / Artigos
DMAIC: o que é, para que serve, como utilizar

Reduzir desperdício, resolver problemas e melhorar processos. Conheça o método DMAIC e descubra como implementar na prática.

Postado em 2023-03-30

Menu